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Odilon Fernandes – advogado, escritor, professor e procurador federal aposentado.

Ensino público, professores e alunos

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publicado em 19/06/2017 às 17h34
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Sábado passado, 17/06/17, ouvi casualmente, três mulheres bastante simples conversando, uma delas acompanhada de um neto e fiquei pasmo quando todas afirmaram que exigiam dos filhos e netos que estudassem e se formassem. Entristeceu-me quando as três disseram que só não queriam, jamais, que eles fossem Professores. Apesar de não surpreender-me, chocou-me ainda mais ouvi-las dizendo que professor ganha uma mixaria. Não me contive, interferi na conversa e perguntei-lhesque curso elas tinham, por que afirmavam aquilo que eu acabara de ouvir, duas disseram na linguagem delas, afirmaram que só tinha o primário e a outra disse que nunca tinha estudado, mas que ganhavam melhor que o professor, diante disso pensei, porque nosso país sofre com tantos problemas?. Lembrei-me então de ter visto uma reportagem em 2015, segunda a qual as nossas escolas públicas não contam com a mínima infraestrutura nas suas instalações, como ginásio de esportes confortáveis e bem construídos, banheiros dignos e devidamente higienizados, nem ao menos papel higiênico, ar condicionado central, material didático necessário, bebedouros suficientes e com água gelada, cantinas com nutricionistas e uma alimentação saborosa, rica e adequada, sequer bem higienizadas, portanto sem o mínimoatrativo para oferecer bem estar e conforto a alunos, professores e funcionários, sem anfiteatros, tudo isso além de muitos outros aspectos que afastam pais e familiares dessas clientelas das unidades onde são matriculados.

Por outro lado os professores são hoje entre as profissões de nível superior uma das mais mal pagas que percebem apesar do piso estabelecido há pouco tempo, metade ou menos do que ganha qualquer outro profissional com formação Universitária e um grande numero de Estados e Municípios não chegam a pagar-lhes nem ao menos o piso legal, e alguns para atingir esse piso inventam gratificações que não chegam a incorporar a remuneração dos que se aposentam, ferindo o principio da paridade estabelecido na Constituição, numa forma artificiosa de fraudar a Lei. É duro admitir também que entre todos os de nível universitário são os que ocupam menos status social, contam com menor reconhecimento da sociedade que não lhes concede o respeito e a admiração que merecem.

Observa-se que nos últimos dez anos diminuiu entre 60% e 70%a procura nas Universidades pelos cursos  de licenciatura e pedagogia. Constata-se também que mais de 80% dos que buscam a carreira de professor são alunos das classes mais baixas da população. Os filhos da classe média e da classe alta nunca escolhem cursos de magistratura numa prova inequívoca de falta de atrativos da profissão. Estes professores não podem comprar livros para ler, jornais, revistas especializadas, viajarem em busca de enriquecimento cultural e profissional, padecendo de todo tipo de dificuldades.

As Universidades Públicas padecem também de inúmeros problemas, não contam com recurso para atualizadas bibliotecas, modernos laboratórios nem para realização de uma diversidade de pesquisas, embora seus professores tenham salários um pouco melhor e mais prestigio social. A infraestrutura também padece dos mesmos problemas acima descritos.

Por incrível que pareça observa-se que as autoridades públicas são as primeiras a desprestigiar o ensino, os professores e os alunos em nosso país. Quase todos esquecem que suas conquistas na área pública devem-se principalmente a educação, sem a qual não teriam chegado aonde chegaram, parecem, apenas parecem, ignorar que a grandeza de qualquer País depende de uma boa e prestigiada educação e que quando se faz coisas positivas para essa área com dez anos já se enxergam os resultados mais profícuos.

O Brasil está entre as dez maiores economias do mundo mais não tem uma Universidade, uma Escola que esteja entre as cem melhores, esta é a estatística, estatística esta que também não contempla o decantado ensino privado e é por isso que não temos pelo menos um premio Nobel entre nós.

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