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Odilon Fernandes – advogado, escritor, professor e procurador federal aposentado.

Somos todos desonestos

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publicado em 20/05/2017 às 11h38
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O Brasil é um País que não tem só coisas ruins. A natureza nos contemplou com riquezas que entre os demais destacam-se no mundo como um povo melhor do que muitos e muitos outros. Somos uma nação multirracial não temos preconceitos, discriminação racial. A nossa sociedade é mais horizontal que em muitas civilizações de níveis econômicos superiores. As restrições aqui que se fazem imperceptíveis, com uma pequena reflexão, é aos pobres, aos muito pobres. Aceitamos de forma democrática, os negros, os pardos, em todos os seios da nossa sociedade desde que não pertencentes as camadas menos favorecidas da população, outros povos discriminam negros, pardos, mulatos, os mais pobres, portanto, mais intolerantes que nós. Temos apesar disto uma paz social que se destaca no nosso mundo. Somos privilegiados com o maior e melhor País da América do Sul em desenvolvimento econômico tanto na agroindústria, uma das mais desenvolvidas que se conhece, na indústria apesar de tudo ainda desenvolvida, com 14 (catorze) fábricas de automóveis, fábrica de aviões, sistema financeiro mais desenvolvido que se conhece, práticas higiênicas mais saudáveis e políticas sociais que nações ricas não têm.

No entanto, apesar de sermos considerados, depois da nova Constituição, a terceira maior democracia do mundo, vivemos problemas gigantescos, entre os quais a corrupção e o descumprimento da Lei assumiram padrões estratosféricos responsáveis por males implantados desde a colonização, logo após o descobrimento e que nunca pararam de crescer. Os responsáveis por tudo isto são principalmente os homens públicos, mormente aqueles que no decurso da nossa história foram e são vitrines das gestões politicas com as quais convivemos e cujas as condutas nefastas têm sido passadas e de certa forma impostas de cima para baixo e que hoje se constituem em uma metástase, um câncer generalizado, que nos acomete, qual seja a desonestidade. Todos ou quase todos queremos levar, parafraseando, Gerson, ex-campeão de futebol, “vantagem em tudo”, e não nos apercebemos que nos tornamos desonestos, seguindo exemplos maléficos dos nossos gestores públicos aos quais cabiam dar bons exemplos a serem seguidos.

Somos desonestos quando buscamos furar uma fila, somos desonestos quando contra prioridades legais preterimos direitos de idosos e deficientes, somos desonestos quando ao fazermos uma compra somos coniventes com o vendedor que sonega e não exigimos a obrigatória Nota Fiscal, somos desonestos, fariseus, quando achamos que praticamos caridade ao darmos esmola a uma criança de 8, 10, 12 anos em um sinal de transito, viciando-a a buscar um dinheiro, uma receita, que aparentemente satisfazem suas necessidades, quando na verdade a retiramos da escola, levando-a diretamente as ruas, consequentes prostituição, consumo de drogas e práticas posterior de crimes gravíssimos, isto apesar do “bolsa família”, da escola gratuita, com merenda escolar, direito a saúde e outros benefícios sociais, somos desonestos ao pagar aos flanelinhas que ocupam espaços públicos como se fossem seus, numa atividade ilícita, somos desonestos ao pedir um atestado gracioso para faltar ao trabalho, somos desonestos quanto aos pais políticos da nossa Pátria homenageando-os desmerecidamente, prestigiando-os apenas por achar que causaremos melhor impressão e que teremos mais status sendo íntimos, “amigos” de perniciosos figurões,

somos desonestos porque mentimos achando que assim somos mais agradáveis, e em muitos outros aspectos que para nós parecem até imperceptíveis, somos desonestos com o mau hábito de enganar até os nossos próprios filhos, somos desonestos quando não observamos e nem exigimos o cumprimento Constitucional de que “todos são iguais perante a Lei”, aceitando privilégios de todo tipo para alguns segmentos sociais em detrimento dos demais, somos desonestos ao querer por mero oportunismo, casuísmo, estabelecer uma eleição direta para provável próxima eleição presidencial, quando deve ser indireta pelo que reza a Constituição, como quando banalizamos a Reforma Constitucional, somos desonestos ao admitir a insegurança jurídica institucionalizada com cores de legalidade.

Talvez seja este o momento, a melhor oportunidade para banirmos, entre nós, práticas como a que entre outras citamos, mudando o nosso modo de escolher os nossos representantes, os nossos homens públicos, e em lugar dos critérios de hoje prestigiarmos, sempre que podermos, a meritocracia e os bons costumes, o que nos levará a sermos melhores, em lugar de sermos um dos maiores países do mundo, sermos o maior e melhor de todos.

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