09 de dezembro de 2016 - 02:43

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25/11/2016 às 05h43 • atualizado em 25/11/2016 às 09h45

Gravações indicam que Cabral já sabia que seria preso

Ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral

Novos trechos de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça reforçam as suspeitas de investigadores de que pessoas próximas a Sérgio Cabral e o próprio ex-governador já sabiam que ele seria preso. Como mostrou o RJTV, o “vazamento” ainda pode significar que provas contra Cabral puderam ser ocultadas ou até mesmo destruídas. Cabral foi preso na quinta-feira (17), na Zona Sul do Rio, durante a 37ª fase da Operação Lava Jato, sob a suspeita de receber milhões em propina para fechar contratos públicos.

As conversas obtidas via grampo telefônico são entre Fani, que de acordo com o Ministério Público Federal seria uma espécie de governanta de Cabral, e o marido dela, Ricardo. No diálogo, eles comentam a transferência do ex-governador para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste da cidade.

Outros trechos levam a crer que o ex-governador já sabia que seria preso. Cabral foi preso no apartamento onde morava, no Leblon, bairro tradicional da Zona Sul carioca. “O Sérgio já sabia, né?”, diz a mulher numa determinada parte da gravação.

A história envolve ainda o filho do casal, Pedro, que mostra estar preocupado com as investigações. Na gravação, Pedro demonstra apreensão com uma casa em Miguel (Pereira). O pai, Ricardo, tranquiliza o filho dizendo que a compra do imóvel foi em dinheiro vivo.

O último diálogo, mais abaixo, é aquele no qual os investigadores acreditam que provas possam ter sido destruídas ou ocultadas.

Veja abaixo a transcrição das gravações:

Bangu
Fani: Tá todo mundo preocupado com o Sérgio em Bangu, né?

Ricardo: É, mas eu tava falando com mamãe. Não vão mandar ele para lá, né? O cara não é maluco. Se mandar ele pra lá, vão mandar para uma cela especial, separada de tudo, porque o advogado bota.

Prisão de Cabral
Fani: Laviola ligou pra Célia cinco e meia dizendo que precisava falar com o governador, e que era muito urgente. Célia bateu no quarto e disse que Laviola precisava falar com ele muito urgente. O Sergio já sabia, né?

Ricardo: Já…

Fani: Ele se virou e disse pra Célia que a polícia iria bater a qualquer momento.

Ricardo: Polícia bateu e foram chegando pedindo o telefone da Célia, e pedindo os telefones de todos da casa.

Filho preocupado
Pedro: Se investigarem pra caralho, pode chegar em mim, né?

Ricardo: Por que, pô?

Pedro: Por causa da casa de Miguel.

Ricardo: Não, foi dinheiro vivo, Pedro. Não teve nenhuma transação do Sergio Cabral pra gente.

Ocultação e destruição de provas
R: Mas ele sabia o que que ele tava fazendo. Esse que é o problema. Né?

Fani: É… Acabei de falar agora com a Adriana. Mas eles estavam esperando semana que vem.

Ricardo: Quem, o Rodrigo?

Fani: É. Lembra que falei que o Rodrigo tava na casa dele semana passada? Ele falou: Fui levar uns negócios que ele pediu, mas depois mandou que levasse de volta, que não era pra ficar nada lá.

Ricardo: Isso é bom. Sinal de que não devem ter achado nada.

G1