05 de dezembro de 2016 - 17:39

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17/11/2016 às 11h23

Promotor chama filho morto pelo pai de vagabundo, mas se desculpa

promotor

Uma postagem do promotor de Justiça e professor de Sorocaba (SP), Jorge Alberto de Oliveira Marum, causou polêmica nas redes sociais nesta quarta-feira (16). Ele afirmou no Facebook que o jovem morto pelo pai em Goiás após uma discussão seria “vagabundo”. Por conta da repercussão, a publicação sobre o caso foi apagada e o promotor pediu “desculpas aos ofendidos.”

O caso comentado pelo promotor aconteceu em Goiânia na terça-feira (15) quando estudante Guilherme Silva Neto, de 20 anos, foi perseguido por pelo menos um quarteirão antes de ser morto a tiros pelo pai, o engenheiro civil Alexandre José da Silva Neto, de 60 anos.

No Facebook, o promotor compartilhou uma reportagem sobre o caso. “Não precisava tanto. Era só cortar a mesada do vagabundo e chorar no banho”, escreveu. A publicação repercutiu e acabou apagada durante a tarde.

Na sequência, Marum publicou um pedido de desculpas, afirmando que o comentário foi “infeliz e inapropriado”, mesmo não concordando com as ocupações de escolas. “Retirei o post e peço desculpas a quem ficou sinceramente ofendido”, disse.

De acordo com a Polícia Civil de Goiás, Alexandre – que cometeu suicídio após o crime, já havia baleado o jovem, que teria conseguido fugir. Ainda segundo a polícia, pai e filho discutiram pelo fato de Guilherme ter envolvimento com movimentos sociais, o que não era aceito pelo pai e teria provocado o conflito familiar.
Conforme consta no registro da ocorrência, Alexandre não concordava com o comportamento e o modo de ser do filho, considerado “alternativo e revolucionário”. Guilherme era ligado a movimentos sociais, incluindo as ocupações de escolas contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que estabelece teto para o aumento dos gastos públicos.

“Sem reflexão”

Em entrevista ao G1 nesta quinta-feira (17), o promotor afirmou que apagou a postagem por achar que teria ficado “ofensivo para a família” da vítima. “Nesse caso foi impróprio, porque é um drama que escrevi sem saber as circunstâncias do caso. Foi um comentário de momento, sem reflexão, em uma página pessoal em que acabamos escrevendo por impulso. Tenho um cargo público, mas sou um cidadão como qualquer outro com liberdade de expressão e opinião”, diz.

Ele conta que apagou a publicação após receber uma ligação da filha, contando que estariam publicando ofensas na página do Facebook. “Fiquei o dia todo trabalhando, então eu não tinha visto [a polêmica]. Achei melhor deletar por não ter sido apropriado”, explica.

Marum afirmou ainda ser contrário às invasões de escolas e depredrações durante protestos. “Eu sou a favor da liberdade de expressão, que é imprecindivel na democracia, mas condeno o método que estão usando.”

Polêmica

Esta não é a primeira polêmica nas redes sociais causada pelo promotor de Sorocaba. No ano passado, Marum comentou uma questão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sobre violência contra a mulher e, em tom de ironia, afirmou que “mulher nasce uma baranga francesa que não toma banho, não usa sutiã e não se depila” e que “só depois é pervertida pelo capitalismo opressor e se torna mulher”.

Na época, a repercussão do caso motivou até uma nota de repúdio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e um protesto em repúdio ao comentário. A publicação também foi apagada e Marum afirmou que a citação foi distorcida por “ignorância, má-fé ou oportunismo político”.

G1