05 de dezembro de 2016 - 17:06

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Especialista em Mídias Digitais, Comunicação e Mercado pelo Centro de Educação Superior Reinaldo Ramos (CESREI)

17 de novembro de 2016 - 11h10

Como conviver com a “Geração Mimimi”

“No meio do caminho tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

Tinha uma pedra

No meio do caminho tinha uma pedra”

(Carlos Drummond de Andrade)

Você deve está se perguntando, o que o poema de Drummond tem em relação ao tema desta nossa coluna semanal. Pois bem! Se trouxermos sua essência para este período pós-moderno, veremos que a ‘geração mimimi’, certamente será a pedra no caminho de muitas pessoas e muitos segmentos, sejam eles públicos ou privados

E particularmente,este é um ponto que me preocupa muito, não apenas por pertencer a este ciclo, mas por conviver com esta geração que muitas vezes, ou na sua grande maioriatem como principais características as constantes reclamações, a falta de protagonismo e de responsabilidade.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, afirma que nós vivemos em uma era líquida, onde nada é para durar, talvez nunca a humanidade tenha alcançado um estado de consciência acerca da dor e da sua própria finitude de modo tão elevado como na cultura contemporânea. Buscamos de todas as formas, meios e subsídios para escaparmos das experiências que não queremos ou que somos impostos a fazer, vislumbrando acima de tudo a aquisição de um utópico estado de prazer eterno.

Criamos um mundo paralelo, um mundo de incertezas, onde vemos cada um por si e Deus por todos. O fato, é que as relações humanas estão cada vez mais flexíveis e o ser humano, em especial a geração mimimi, estão acostumados com o mundo virtual e com a facilidade do “desconectar-se”.

Estamos assistindo e fazendo parte de uma sociedade espetacularizada, termo profetizado por Guy Debord em seu livro “A sociedade do Espetáculo”. E ao fazer parte desta sociedade, estamos subindo em um grande palco, que por sua vez, vem perpassando o mundo real e adentrando ao mundo virtual, fazendo com que este, se sobressaia ao real. De um lado, vemos jovens que buscam a espetacularização e o culto tecnonarcisista fazendo das plataformas de redes sociais o espelho de Narciso. De um outro, vemos estes mesmos jovens tentando impor e ditar regras conforme o seu ritmo.

Regras estas, fruto do hedonismo pós-moderno, fantasiado da livre-escolha, de “se não gostar do programa, então desligue a televisão” ou se não gostar do seu trabalho, reclame e peça demissão, em que parecemos ser reis de tudo aquilo que chega até nós. É evidente que construímos uma sociedade onde o mal-estar se agravou. E é nesta sociedade onde as pessoas não conseguem desenvolver ferramentas de socialização eficientes o bastante para uma conversa e passamos a nos conectar por que a relação não tem mais a mesma consistência, agora é frágil como uma conexão, e quando não temos qualidade, investimos na quantidade.

Afinal, de que lado você está? O que você defende? Quais os seus posicionamentos? Não gostou de alguma coisa? Posta ou não no Facebook? Fala ou não com seu superior? Reclama do seu vizinho ou deixa passar? É gay ou hétero? Negro, pardo ou Branco? Petista ou Coxinha?  Sim meus caros, O mimimi é o beicinho, a magoazinha, a desistência do fracote, a apelação de quem acha que vai mudar o mundo com sua opinião.

Luiz Felipe Pondé afirma que nos próximos anos, certamente não se lembrarão de nós apenas como a geração do Ipad ou Ipod, mas como membros de uma era do ressentimento, afinal, somos uma civilização de mimados que não é capaz de escutar nenhuma crítica sem achar que é uma questão de ofensa pessoal.

Mas o que é necessário para se conviver com esse público e consigo mesmo? Ter mais flexibilidade, aceitar o mundo como ele é, ter resiliência e protagonismo, assumir aquilo que é sua responsabilidade. Você deve deixar de culpar a empresa, o chefe, o outro, o cenário ou a falta de tempo e recursos. É hora de o profissional e/ou o indivíduo se apropriar de sua capacidade para poder realizar alguma coisa.

Finalizando, por um lado, estamos sempre criando novas oportunidades. Por outro, desistimos muito fácil das coisas, estamos apostando todas as nossas fichas em experiências vividas por outras pessoas e esquecemos de somar o fator de que todos nós vivemos em realidades diferentes. Infelizmente, escolhemos sempre apontar o dedo e dizer: A culpa é dele, dele e dele. Para então, nos voltarmos à nós mesmos, ignorando a necessidade da autocrítica. Sim!  No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho, tinha uma pedra chamada “Geração Mimimi”.

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