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Professor de História pela UFPB e analista político

2016 antecipa 2018?

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publicado em 07/10/2016 às 11h27
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A vitória dos partidos de oposição nas maiores cidades da Paraíba foi incontestável, especialmente se observarmos as principais cidades que compõem e eixo da BR-230 que perpassa a região metropolitana de João Pessoa e segue até Cajazeiras: João Pessoa, Cabedelo, Bayeux, Santa Rita, Campina Grande, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras. Dessas, um único candidato apoiado pelo governador Ricardo Coutinho logrou êxito: Fábio Tyrone, em Sousa.

Nos municípios restantes, candidatos que se perfilam na oposição venceram as eleições, em alguns casos, como em João Pessoa e Campina Grande, por largas margens.

Análises apressadas podem remeter a conclusão apressadas. A primeira delas é que o PSB sofreu uma derrota ampla, geral e irrestrita. Não foi. Dos 20 maiores municípios, por exemplo, que representam quase a metade do eleitorado paraibano (1.433.543 de 2.889.721) o PSB venceu em seis deles: Mamanguape, Pedras de Fogo, Sapé, Esperança Queimadas e Sousa.

Além disso, em outras cinco cidades (João Pessoa, Bayeux, Santa Rita, Catolé do Rocha, Alagoa Grande) o PSB se constitui hoje como segunda força, tendo perdido, em alguns casos, por estreitas margens – não estão incluídos candidatos vitoriosos ou derrotados que pertencem a partidos aliados, como o PT de Pombal.

Nesses grandes municípios o eleitorado é cada vez mais independente das máquinas locais. Para corroborar isso lembremos que a derrota sofrida pelos candidatos cassistas, em 2004, em proporções semelhantes as de 2016, não impediram sua reeleição dois anos depois.

Em muitos casos na eleição de 2014, como foi o caso de Patos, alguns prefeitos desempenharam papel secundário, o que levou Ricardo Coutinho a vencer na Morada do Sol com o apoio de apenas um vereador.

Além disso, nos municípios menores a influência do governador tem sido decisiva nos resultados eleitorais (quem tem alguma dúvida, visite a página do TRE para levantar os candidatos vitoriosos nos município com menos de cinco mil eleitores nas últimas eleições).

Mais do que qualquer outro resultado, a eleição de 2016 representou a consolidação definitiva do PSB com um partido estadualizado, cuja influência até 2012 estava restrita a João Pessoa, onde se mantem forte e influente, como a eleição demonstrou.

Não foi por outro motivo que PSD, PMDB e PSDB formaram uma frente e devem todos eles se aglutinar em outro polo político com vistas a futuros embates.

É necessário, portanto, que cartaxistas, cassistas e maranhistas evitem ir com muita sede ao pote para não comemorarem antes da hora, sobretudo porque restam ainda dois anos para a eleição, se é que teremos mesmo eleições em 2018 – sobre isso, não deixe de ler ao final uma nota sobre o que disse ontem o prefeito Romero Rodrigues em entrevista a uma rádio da capital.

Antes de mais nada, é sempre bom lembrar, que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Traduzindo: uma coisa são as eleições municipais, onde o critério de escolha, claro, leva em conta os candidatos e a situação político-administrativa peculiar a cada município.

Em 2018, o quadro mudará e o que valerá para determinar a decisão do eleitor serão critérios estadualizados, seja quanto a avaliação do desempenho da administração estadual, hoje muito bem avaliada, seja os candidatos e o que eles representam para a política estadual.

Nesse ponto, algumas equações políticas precisam ser resolvidas até lá no campo da oposição. Primeiro, Luciano Cartaxo abandonará a PMJP, entregando-a de mão beijada ao PMDB de Manoel Jr. e José Maranhão, para se aventurar numa disputa estadual?

Caso alguém da estrita confiança de Cartaxo tivesse ocupado o cargo de vice-prefeito na eleição de 2016 eu não teria dúvida nenhuma de que o anúncio da candidatura do prefeito reeleito de João Pessoa a governador já estaria desde já marcada.

Mas, essa decisão levará em conta muitas questões difíceis de serem antecipadas, além das já apontadas acima. Por exemplo: Quem será o/a candidato/a do governador Ricardo Coutinho? Ele se afastará mesmo do governo para se candidatar ao Senado ou a outro cargo federal ou permanecerá no cargo para conduzir sua sucessão? A crise econômica que hoje abala o pais persistirá? Lula será candidato? Como estará o quadro nacional das alianças? PSDB e PMDB continuarão aliados nacionalmente? Teremos mesmo eleições em 2018?

Enfim, se as eleições municipais tem relevância para determinar a correlação entre as forças políticas do estado, nem de longe elas representam uma antecipação do resultado. E 2004, 2008, 2012 estão aí para demonstrar isso.

Romero Rodrigues antecipa novo golpe?

Ontem, o prefeito reeleito de Campina Grande concedeu entrevista a uma das emissoras de rádio de João Pessoa e, não sei por orientação de fonte graúda para antecipar o debate ou por incontinência verbal, o agora tratado como um fenômeno de votos entre outras coisas afirmou:

1)      Que 2018 talvez não aconteça em razão da unificação das eleições de Governador e Presidente da República com as de prefeito, o que significa estender os mandatos dos atuais presidente e governadores por mais dois anos, até 2020. Romero Rodrigues só não antecipou se será estendido o mandato de Temer ou do tucano a ser eleito pelo Congresso depois que Temer ser derrubado no próximo ano.

2)     Que deve cair a proibição para empresas privadas financiarem campanhas eleitorais, pois foi uma luta pedir votos esse ano sem essa dinheirama. Romero reclamou que não pôde sequer transportar cabos eleitorais para os bairros nem pagar para as meninas quararem sob o sol segurando suas bandeiras. O prefeito campinense como bom tucano defende que as empresas voltem a financiar campanha eleitorais mesmo com as demonstrações explícitas de que essa é um das raízes da corrupção no sistema eleitoral brasileiro. Bom, Romero é do PSDB e pode defender isso sem ser sequer questionado.

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