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ARREPENDIDO

‘Acabei com minha vida’, diz suspeito de matar bebê a paulada em São Paulo

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publicado em 15/01/2015 às 14h55

Sérgio Claro dos Santos, de 31 anos, diz ter perdido 20 quilos desde a confusão em que se envolveu e que resultou na morte de um bebê de cinco meses em Barrinha (SP). O pintor, que estava foragido e se entregou à polícia na quarta-feira (14), afirma que se arrepende e não consegue dormir ou comer. “Acabei com minha vida, acabei com a vida de uma criança."

Em 6 de janeiro, Lorenna Cordeiro Thimóteo teria sido agredida por ele com uma paulada e morreu no último sábado, após ficar quatro dias internada no Hospital das Clínicas (HC-UE) de Ribeirão Preto (SP), com traumatismo craniano. Santos garante não ter visto a criança no colo da mãe no meio da briga e diz que apenas tentava se defender de moradores que atacaram o carro onde estavam seus filhos.

O homem ficou foragido por quase uma semana na casa dos pais em Cornélio Procópio (PR). Ele cumprirá prisão temporária na Cadeia Pública de Jaboticabal (SP) e deve responder por homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar.

Defesa

O pintor afirma que, pouco antes da confusão, tinha ido à casa de sua ex-mulher com dois filhos para buscar sua filha e levá-los para comer um lanche. Enquanto esperava pela menina do lado de fora da residência, um rapaz do outro lado da rua teria provocado a discussão que, segundo Santos, resultou nas agressões.

Ele conta que, depois de ter sido ofendido e de ter o carro atacado e danificado pelos moradores, saiu do veículo e pegou um pedaço de madeira para se defender. Ao tentar atingir o rapaz, no entanto, ele diz ter sido surpreendido por uma mulher, que entrou no meio carregando uma criança no colo.

“Como uma mulher com uma criança entra no meio de uma briga? Eu estou arrasado. Faz dez dias que não durmo. Não como, emagreci 20 quilos. Sou uma pessoa boa, trabalhador, não devo nada pra sociedade. Eu encontrei o pau lá para me defender. Eu me arrependo, não vi a criança. Eu sou pai, tenho cinco filhos”, diz.

O homem alega que desde o início pensou em se entregar e que está à disposição para contar a verdade dos fatos, mas nega ser “um monstro”. "Peço para a população desculpa, porque não sou uma pessoa ruim. Moro há 31 anos em Barrinha, nunca tive problema com ninguém. A Justiça está aí, estou dando meu depoimento. Minha versão é correta, não preciso mentir.”

Outra versão

O delegado Targino Osório, responsável pelas investigações, diz que as testemunhas têm outra versão dos fatos. Segundo ele, quem viu a confusão afirma que foi o pintor quem teria começado as agressões e que os moradores atacaram seu carro depois que a criança já tinha sido atingida. Osório também não acredita na alegação de que o agressor não viu o bebê antes de dar a paulada.

Segundo testemunhas, ao descer do carro na frente da casa da ex-mulher, o pintor começou a discutir com um adolescente de 16 anos, vizinho dela, que estava na calçada com a irmã e a sobrinha. A mãe da menina, Flávia Thimóteo, tentou intervir na discussão e, nesse momento, o agressor foi até o porta-malas do carro, pegou um pedaço de madeira e começou a agredi-la. O homem, no entanto, acabou atingindo Lorenna, que estava no colo da mãe.

Após acertar o bebê, o suspeito entrou no carro e fugiu. Lorenna foi socorrida por vizinhos e levada até pronto-socorro da cidade, e depois acabou transferida para o HC-UE, mas não resistiu.

Para a Polícia Civil, o suspeito agiu por ciúme da ex-mulher, vizinha da família da criança. De acordo com Targino Osório, o rapaz tentou agredir um adolescente de 16 anos, tio da menina, porque suspeitava que ele tivesse algum tipo de relacionamento com sua ex-mulher.

Na última sexta-feira, a Justiça de Sertãozinho (SP) decretou a prisão temporária do suposto agressor. Durante o velório da menina, no domingo (11), o avô materno da menina, Ismael Thimóteo, fez um apelo para que ele se entregasse à polícia.

G1

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