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Brasileiro condenado por tráfico de drogas é executado na Indonésia

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publicado em 17/01/2015 às 16h03

Carioca, solteiro e sem filhos, Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi executado na madrugada deste domingo (18) na Indonésia — tarde de sábado no horário de Brasília —, depois de passar mais de uma década no corredor da morte por tráfico de drogas.

Segundo a emissora local TV One, a execução do brasileiro e de outros cinco condenados por tráfico de drogas aconteceu à 00h30, 15h30 do sábado no Brasil.

A morte também foi confirmada por um porta-voz da Procuradoria Geral do país à BBC Indonésia.

O Ministério de Relações Exteriores do Brasil ainda não confirmou a execução, realizada por fuzilamento. A assessoria de imprensa do Itamaraty informou, por meio de nota, que, nas primeiras horas da manhã de domingo (noite de sábado no Brasil), as autoridades indonésias terão um encontro com advogados e familiares das vítimas.

Por volta das 16h45 de Brasília, o advogado Bart Stapert, que representava o holandês Ang Kiem Soei, fuzilado junto ao brasileiro, informou pelo Twitter que a equipe médica ainda estava "tratando" os corpos e que o acesso aos condenados ainda não tinha sido permitido.

Tráfico de drogas

O brasileiro, que trabalhava como instrutor de voo livre, foi preso em agosto de 2003 após tentar entrar no país, pelo aeroporto de Jacarta, com 13,4 kg de cocaína escondidos em uma asa delta desmontada.

Amigos dizem que tudo começou após o brasileiro sofrer um acidente de voo na Indonésia. O longo período de internação hospitalar teria rendido uma dívida de mais de R$ 100 mil para o instrutor, e transportar drogas seria a forma que ele encontrou para pagar essa conta.

“Todos os amigos avisavam, sabiam do risco que ele estava correndo e ele sempre dizia ‘pode deixar que eu vou parar, só vou mais essa’”, disse um dos amigos.

Condenado em 2004, Moreira se tornou, hoje, o primeiro brasileiro a cumprir a pena de morte fora do País. Os outros cinco prisioneiros — um indonésio, um holandês, um vietnamita, um malauiano e um nigeriano — também foram executados.

Desde a condenação, o governo brasileiro fez dois pedidos de clemência a que Moreira tinha direito. O primeiro foi rejeitado em 2006, pelo então presidente Susilo Bambang Yudhoyono. O segundo, feito em 2008, levou mais de cinco anos para receber uma resposta.

No final do ano passado, o novo presidente do país, Joko Widodo, assumiu o cargo e anunciou que negaria todos os pedidos de clemência feitos por traficantes de drogas condenados à morte no país.

A presidente Dilma Rousseff chegou a ligar na sexta-feira (16) para o presidente da Indonésia para pedir pela vida de Moreira, mas Widodo rejeitou o pedido e afirmou que as leis de seu país precisavam ser cumpridas. As execuções de hoje foram as primeiras aplicadas sob a presidência de Widodo.

R7 com agências internacionais 

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