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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Mata-mata

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publicado em 03/09/2014 às 10h57

Daqui pra frente, a campanha eleitoral para o governo da Paraíba tende a agravar o acirramento entre as duas principais coligações. A praticamente trinta dias da grande decisão dos paraibanos, o clima é de frisson, tensão e expectativa nos ambientes que abrigam os staffs do governador Ricardo Coutinho e do senador Cássio Cunha Lima.

Em desvantagem, a campanha do socialista deve buscar trunfos para frear a onda em torno do tucano. Até aqui, os esforços têm se revelado e inúteis e o quadro desfavorável perdura sem indícios de reviravolta. O núcleo ricardista tem que buscar, a todo custo, uma fórmula para garantir o segundo turno e tentar virar o jogo.

Na banda cassista, a ansiedade também é notada. Em posição de vantagem, sabe-se que não se pode descuidar e nem subestimar um adversário com a astúcia e um histórico de superação de um Ricardo Coutinho, quanto mais em tempos em que o ex-militante social conta com a bonança de folgada estrutura financeira.

Ricardo deve aprofundar os ataques a Cássio e criar fatos que balancem a liderança do senador. O que não é fácil. O que se ver ultimamente é um crescente movimento de adesões ao tucano, de um lado, e de baixas no arraial governista, do outro. Um termômetro da campanha.

O bunker de Cássio, por sua vez, acelera adiante, mas sempre de olho bem aberto e atento no retrovisor para acompanhar os passos e reações do rival e evitar sobressaltos e surpresas desagradáveis. Afinal de contas, a história está cheia de governadores que dormiram eleitos e acordaram derrotados.

De agora em diante, essa é a pisada da campanha. Um grupo se armando para tentar mudar a rota da expectativa de poder e o outro trabalhando incansavelmente para se proteger e não permitir chance de reação. Uma guerra onde a maior munição é a paciência para captar o momento certo de liquidar a fatura ou de dar o pulo do gato.

Bolsa de… – Choveram mensagens de leitores e políticos tentando identificar quem é o prefeito da região de Sapé que vendeu, não entregou a mercadoria e resiste a fazer o reembolso.

Valores – O dito gestor recebeu considerável e$tímulo de certo candidato a deputado federal. Posteriormente, se encantou com propo$ta mais atraente e não resistiu à tentação.

Aviso aos navegantes – O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT), mandou recado às construtoras que prestam serviço ao Município: não admite atraso no cronograma de obras. Ele programou a entrega de 21 obras até o fim deste mês para marcar os 429 anos de João Pessoa, mas mantém foco nas ações em andamento, a exemplo da Lagoa e BRT.

Reação – Como era de se esperar, os deputados da oposição retrucaram o governador Ricardo Coutinho, que atribuiu sua minoria na Casa a indisposição de “comprar” apoios.

Invertendo os… – Antônio Mineral (PSDB), citado por Ricardo, admitiu ‘negociata’ com o governo, mas comandada pelo próprio governador interessado em sua licença na Assembleia.

Ponteiros – “Eu tirei licença para que ele passasse uma ambulância para cada município meu”, revelou Mineral. Uma operação pouco “republicana”, digamos. Pros dois lados.

Processo – Insatisfeito com os novos ataques do governador, o deputado Janduhy Carneiro (PTN) anunciou intenção de interpelar Ricardo sobre as insinuações e acusações verbalizadas.

Retaliação – “Há muito tempo o governador não aceita a independência do Poder Legislativo, por isso a Casa vem sendo atingida pela insatisfação de Ricardo Coutinho”, frisou Carneiro.

Expert – “Se quisesse maioria, ele teria”, acunhou Tião Gomes (PSL), que apoiou todos os últimos cinco governadores, e diz que Ricardo foi o único a não se render às negociatas.

Conformado – “Eu pessoalmente não creio na expectativa com relação a isso”. Do deputado Hervázio Bezerra (PSB) sobre a possibilidade de ser “mantido” na liderança do governo.

Passando – Principal ameaça aos planos de reeleição de Dilma, a ex-ministra Marina Silva (PSB), antes um peso morto na campanha, virou o alvo preferencial dos petistas em Brasília.

…Recibo – “Essa é Marina. Uma candidata que ora diz uma coisa, ora diz outra”, atacou o senador pernambucano Humberto Costa (PT), para quem a ex-seringueira é um “FHC de saias”.

Expectativa… – …Para o debate da RCTV (canal 27 Net Digital) dos candidatos a governador da Paraíba, na próxima segunda-feira, com mediação do veterano Hermes de Luna.

PINGO QUENTE“O Senado não é lugar pra quem quer aprender”. Do ex-governador José Maranhão (PMDB), puxando a sardinha pra seu currículo e alfinetando a ‘inexperiência’ de Lucélio Cartaxo.

*Reprodução da coluna do jornalista no Correio da Paraíba, edição do dia 03/09/2014 (quarta-feira).
 

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