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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Um estado de adesões

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publicado em 11/09/2014 às 16h08

Pode não ser um fenômeno isolado, entretanto, o que ocorre em termos de adesismo registrado por nossas terras em tempos de eleição deve extrapolar qualquer parâmetro de proporcionalidade Brasil afora. Pelo menos nesse aspecto, a Paraíba dá de cambão – como se diz em Marizópolis – nos outros estados.

O troca-troca é diário, público, à luz do dia, registrado com ênfase pelas assessorias e com destaque pela mídia. Tudo noticiado, encarado e visto como a coisa mais natural do mundo. A exceção, pelo visto, é a fidelidade partidária e às coligações celebradas. A regra é a miscigenação espúria.

De todos os lados, não há uma coligação ou partido que não tenha protagonizado ou sido vítima do bacanal eleitoral instalado no Estado. Antes, o vírus atingia apenas prefeitos, vereadores e cabos eleitorais. Nos tempos atuais, deputados e lideranças de alcance estadual entraram na algazarra.

Todo o dia, o noticiário dá cores ao arco-íris. Nas coletivas das adesões, candidatos e líderes políticos se resumem a debulhar o rosário de qualidades do seu escolhido para justificar a virada de casaca, sem a mínima preocupação em explicar porque comete explícita e despudorada infidelidade.

Ninguém precisa estar dentro dos comitês financeiros das campanhas para entender o que move as adesões e parcerias esdrúxulas, tanto do ponto de vista da coerência quanto do quesito fidelidade. Praticamente todas obedecem ao mesmo critério: as e$truturas ofertadas para viabilizar projetos individuais.

Quem assiste cotidianamente a orgia deve ficar se perguntando: se o político perde o mandato quando deixa o partido, segundo a Lei da Fidelidade Partidária, por que não há qualquer controle ou punição para quem já antecipa a traição no próprio pleito? Na ausência de pena das legendas e dos tribunais, resta a sentença do eleitor.

Bala… – Ontem foi a vez do ex-deputado federal Marcondes Gadelha. Presidente do PSC, coligado com Wilson Santiago, anunciou adesão no terraço da casa de Zé Maranhão.

Trocada – Em contrapartida, em Cajazeiras, a prefeita Denise Oliveira, do PSB, ignorou o candidato a senador (Lucélio) da sua coligação e sacramentou apoio a Santiago.

Interdição em Cabedelo – Pela constatação de precárias condições, o Conselho Regional de Medicina decidiu interditar eticamente o Hospital Municipal de Cabedelo. Na unidade, o CRM detectou infiltrações, alagamento e até esgoto aberto. A Secretaria de Saúde do Município informou a intenção de recorrer da decisão.

Parto – Há nove meses no cargo, o prefeito Leto Viana, que ascendeu após a renúncia de Luceninha, ainda não gestou uma solução para a grave crise do Hospital.

História – Limitou-se a culpar os seus antecessores dos últimos 20 anos: “Houve irresponsabilidade e ingerência de prefeitos”. Detalhe: foi aliado de todos.

Culpa – Com atuação em Cabedelo, o deputado Trócolli Junior (PMDB) responsabilizou o prefeito. “Isso demonstra o descompromisso de Leto Viana com a cidade…”.

Contraste – “… Mas principalmente com a população da cidade mais rica da Paraíba, a que tem a maior renda per capta do Estado, que não tem um hospital decente”, lamentou Júnior.

Dissidente – O vereador Fuba Maroja (PT) defende a destruição do material de campanha com Lula, Dilma, Lucélio e Ricardo. Justificativa: “A candidata de Ricardo é Marina”.

Novo encontro – Depois do sucesso do debate da RCTV (canal fechado do Sistema Correio), a TV Correio já prepara o confronto do dia 26, às 22h. Na reta final da eleição, promete!

Pra variar…  – Com a aproximação do pleito, a coisa só piora na Assembleia. Ontem, apenas dois parlamentares bateram o ponto no trabalho. Os demais estavam à caça de votos.

Fardo – Isolado na oposição, o vereador Lucas de Brito (DEM) reclamou da “sobrecarga” no trabalho de fiscalização do Executivo: “Só a gente está se dando a este trabalho”.

Homenagem – Ex-superintendente do Sebrae, Júlio Rafael virou nome da praça nas imediações do órgão. A iniciativa foi do presidente da Câmara da Capital, Durval Ferreira (PP).

Disponível – Faltou diálogo. Eis a justificativa do presidente do PSL, Tião Gomes, para avisar do afastamento do partido do apoio a Lucélio. Agora, está livre para ‘dialogar’ com outros.

PINGO QUENTE“A política da Paraíba virou um balcão de negócios”. Do vice-prefeito de João Pessoa, Nonato Bandeira (PPS), criticando a onda de adesismo e desmentindo boatos de adesão a Lucélio.

*Reprodução do Correio da Paraíba.

 

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