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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Campina Grande

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publicado em 29/09/2014 às 12h11

Segundo maior colégio eleitoral da Paraíba e historicamente responsável pela eleição dos últimos governadores, Campina Grande foi palco, nesse fim de semana, dos afagos e estratégias de Cássio Cunha Lima e Ricardo Coutinho, candidatos que polarizam a disputa ao Palácio da Redenção.

No sábado, o governador Ricardo Coutinho montou praça na cidade, acompanhado de todo seu staff. A estrutura do governo inteira subiu à Serra da Borborema. Pelas ruas, o socialista fustigou os brios dos nativos ao vociferar: “Campina Grande não tem dono”.

O chavão de Ricardo é o mote para, posteriormente, tentar convencer os campinenses que em três anos e oito meses fez mais que o clã Cunha Lima, um superlativo que não surpreende a quem conhece o estilo ricardista, acostumado a autoproclamar seu governo ao mais eficiente da história dessa terra tabajara.

Ontem, foi a vez de Cássio, filho e ex-prefeito três vezes da Rainha da Borborema, invadir as avenidas que conhece como a palma da mão. Em uma de suas falas, Cunha Lima exortou o insuperável e latente campinismo ao se comprometer: “Campina Grande voltará a ser respeitada e tratada com decência”.

Conhecedor da alma campinense, Cássio vai na ferida e toca na maior auto-estima do mundo, o mais marcante traço da identidade de Campina Grande, que se ressente do saldo das intervenções do Estado da atual gestão por esperar tratamento proporcional ao que representou para a eleição de Ricardo.

Na geografia política da Paraíba, Campina é um capítulo à parte. Por isso, sempre merece tratamento diferenciado das campanhas. Do lado girassol, há esperança de que a cidade poderá surpreender, pela primeira vez. No arraial cassista, a expectativa de que a terra-mãe não fugirá às suas tradições e não dará às costas a um filho. Dia 5 de outubro, as urnas responderão quem estava com a razão.

Confronto… – O foco da campanha de Lucélio Cartaxo, candidato ao Senado do PT, não é mais Wilson Santiago (PTB). A mira está agora voltada para José Maranhão (PMDB).

Direto – Lucélio defende “vida nova”, “oxigênio” e “ritmo” e Maranhão sustenta que o Senado não é lugar para “neófito”, numa alusão a “falta de experiência política” do adversário.

MP com a palavra – A imprensa e operadores do Direito paraibano aguardam manifestação oficial do Ministério Público sobre um detalhe que ainda paira no ar: o MP, na época comandando pelo procurador Oswaldo Trigueiro, recebeu cópia do inquérito que investigava supostas propinas pagas a secretários, como dizem governo e governador?

Ecos do… – No debate da TV Correio, Ricardo recebeu atenção e orientações especiais do secretário Luís Tôrres e do jornalista Paulo André Leitão, cérebros do marketing do PSB.

Debate – Cássio, visivelmente bem mais tranqüilo que Ricardo no ar, contou com os “toques” do publicitário Jurandir Miranda, da Mix. Harrisson Targino reforçou a assistência.

Pra próxima – Zé Nivaldo (Makplan) e o jornalista Carlos Magno prepararam o senador Vital do Rêgo (PMDB) para o confronto com Cássio e Ricardo. O sorteio não favoreceu a estratégia.

Consulta – Num dos intervalos, o Major Fábio (PROS) confirmou sua irreverência. Ligou pra esposa e perguntou: “Eu estou bonito”? Reagiu com sorriso largo ao que ouviu.

Pelo olhar – Frente a frente, Tárcio Teixeira (PSOL) escutava as respostas de Ricardo encarando o socialista. Quase sempre com meneios de cabeça manifestando contrariedade.

Ironia – Ao responder sobre denúncia da propina, Ricardo disse pra Antônio Radical (PSTU) um “você me conhece”. Fora dos microfones, Radical soltou de volta: “E conheço mesmo”.

Matando na unha – Enquanto ouvia as críticas de Ricardo, Cássio, bem ao lado do adversário, reagia com pouco caso: fazia caras e bocas como se estivesse num exercício de fonoaudiologia.

Arquivo – Tem gente na Paraíba sem dormir após os rumores de que um dos delegados gravou vídeo da operação da apreensão dos R$ 81 mil oriundos de um banco de Recife.

Adesão – Maranhista e ex-secretária adjunta de Saúde do Estado, Lourdinha Aragão (PMDB), ex-prefeita de Monteiro, aderiu a Ricardo. “Ele fez muito pela região”, justificou.

Errata – Na última sexta, a Coluna trocou o vereador Chico do Sindicato (SDD) por Chico do Sintram (PPL). Ambos são sindicalistas, mas cumprem ‘papéis’ distintos nesse pleito.

PINGO QUENTE“Eu acabei com a mamata, com os privilégios”. Do governador Ricardo Coutinho (PSB) botando fogo na sua militância durante discurso na sugestiva cidade de Queimadas.

*Reprodução do Jornal Correio da Paraíba.

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