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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Cícero sai da toca

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publicado em 22/10/2014 às 16h39

Estava escrito. Dificilmente, um político com a representação de um Cícero Lucena passaria ao largo do começo ao fim de uma eleição. Silente no primeiro turno pela sabida e decantada preterição na chapa, o senador tucano resolveu abreviar seu auto-exílio e distância do pleito. Antes de tudo, por uma questão de sobrevivência.

Experiente, Cícero percebe que dos líderes os liderados e seguidores esperam posições. A indiferença não combina com quem pretende se manter na vida pública disputando espaços de poder. Ao se despir da neutralidade, foi esse o primeiro recado dado por Lucena: o de que não abandonou a política. E nem pretende.

Enfronhado no comando nacional do PSDB e partícipe da coordenação de campanha do mineiro Aécio Neves, o senador paraibano mais cedo ou mais tarde teria que emprestar sua contribuição ao projeto do partido, também, no seu Estado, o único no Nordeste em que a sigla concorre nesse segundo turno.

Negar esse gesto à sua legenda, num momento tão crucial, seria ruim aos olhos da direção nacional, de quem Cícero obviamente espera espaços futuros e reciprocidade em caso de eleição de Aécio à Presidência. Esse apelo nacional e o contexto das perspectivas tiveram muito peso na decisão do senador, além da óbvia eliminação entre Ricardo, um algoz, e Cássio, um parceiro de longas datas.

Afora essa conjuntura, alijar-se completamente do processo eleitoral paraibano seria entregar de bandeja seus espaços e liderança em João Pessoa. Em qualquer cenário, seja Cássio ou Ricardo o vencedor, terá voz ativa na sucessão municipal. Mantém-se no jogo e não se anula, antecipadamente.

Cássio eleito, Cícero tem como disputar internamente com Ruy Carneiro a precedência para disputar a Prefeitura em 2016. Na pior das hipóteses, ganharia crédito para cobrar em projeto futuro. Sendo Ricardo o eleito, tem o nome na praça para concorrer com o PSB e Luciano Cartaxo, juntos ou separados. Com um diferencial: Lucena ainda mantém preservado o discurso de contraponto a Ricardo, coisa que PT e PMDB, ao aderirem nesse pleito ao socialista, perderam.

Versos… – “Há tempo de calar e tempo de falar”, justificou Cícero, recorrendo ao livro de Eclesiastes para explicar as duas fases que protagonizou nessa eleição na Paraíba.

Bíblicos –  Indagado sobre os motivos que lhe tiraram do ‘deserto’ político, Cícero foi categórico: “A Paraíba”. Vê nas candidaturas de Cássio e Aécio uma chance histórica do Estado.

Beco estreito – Mesmo internamente insatisfeitos com o PSB, o núcleo central da ala majoritária do PT se sente impelido a trabalhar pela dobradinha Dilma/Ricardo na Paraíba. A explicação: a decisão de Cássio colar e fazer campanha cerrada para Aécio não permite outro caminho. Dilma é a prioridade máxima. Ricardo “entra no pacote”.

Da água… – Se um eleitor tivesse entrado em coma antes de junho e voltasse à consciência nesse segundo turno, pensaria estar sonhando se ligasse a TV no guia eleitoral do PSB.

…Pro vinho – Do senador Vital do Rêgo, ex-candidato a governador. “Ricardo vem executando uma ação do governo que o povo aprovou e quer continuar transformando a Paraíba”.

Reverso – “Com Ricardo governador, Campina ganhará muito mais”. Do ex-prefeito Veneziano Vital (PMDB) no guia de Ricardo – que já fora tratado como “inimigo” da cidade.

Parceiros – Já o prefeito Luciano Cartaxo pediu pela reeleição do governador sob o argumento de que pilota “uma série de ações que são fruto da parceria com Dilma e Ricardo”.

Borracha – Do ex-governador Roberto Paulino (PMDB): “Ricardo representa o trabalho”. Em agosto último, ele lamentou o Hospital de Trauma ter virado “alvo de escândalos”.

Pé de ouvido – Convidado para comício de Dilma em Goiana (PE), Lucélio Cartaxo (PT) bateu papo no palanque com o governador Jaques Wagner (Bahia) e com Lula. Em clima informal.

Articulações – Artífice do comitê Dilma/Cássio na Paraíba, o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PP) tem sido acionado pela presidente para missões políticas nacionais nesse segundo turno.

Trote – A Polícia Civil investiga o vazamento de informações e quem está por trás do golpe contra familiares de pacientes, denunciado pela direção do Trauma da Capital.

Processo – Acusado por Cássio, no debate da TV Correio, de ter sido demitido em Pernambuco a bem do serviço público, Flávio Moreira, da FAC, quer reparação por danos morais.

Reformando – Deputado Frei Anastácio (PT) inaugurou ontem nova modalidade de adesão: a de assentamento. ‘Converteu’ pra Ricardo 200 famílias do Padre João Maria (Mogeiro).

PINGO QUENTE“O que se viu foi o uso do dinheiro público para A ou B”. Do ex-senador Wilson Santiago (PTB), atribuindo sua derrota ao abuso de poder político e econômico de adversários na campanha.

*Reprodução do Correio da Paraíba.

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