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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

O deserto de Cássio

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publicado em 11/01/2015 às 16h45

Tudo que saísse da boca do senador Cássio Cunha Lima do final da eleição, da qual saiu derrotado nas urnas, até a posse do governador Ricardo Coutinho, soaria a esperneio de que não obteve resultado favorável. Pareceria “choro” de quem não venceu uma eleição desenhada para sua vitória. O silêncio atual, portanto, é estratégico.

Passado o recesso, onde encontra-se afastado do solo paraibano para reflexões, avaliações e descanso, o tucano assumirá um papel naturalmente seu: líder da oposição. Não um líder qualquer. Um opositor referendado pela metade da Paraíba e com o aval de um milhão de seguidores. Não é pouca coisa, convenhamos.

Quando voltar à tona, o que disser, portanto, tem peso para repercutir. No mínimo, entre seus adeptos, ávidos por ouvirem o direcionamento e tom a ser dado. De longe, Cássio está convicto que por mais que os espaços tradicionais de debate sejam garroteados, não há mais como abafá-lo com o advento das redes sociais.

As críticas da campanha não serão apenas mantidas, como devem ser ampliadas, na análise pessoal do tucano. Na compreensão do senador, respeitar a soberania do voto não é acatar o poder como sendo absoluto. O silêncio atual é respeitoso ao resultado das urnas, não omissão, raciocina Cássio em suas reflexões mais particulares.

No contraponto que pretende inaugurar a partir de fevereiro, o senador mirará nas duas vertentes: administrativa e política. Em termos de gestão, manterá a artilharia na presença da Cruz Vermelha na Saúde, apesar da mudança de secretário da pasta, falta de valorização do servidor e ausência de projetos novos no segundo mandato.

Na política, reforçará a crítica à incoerência do que chama “alianças espúrias”. Um exemplo bem ilustrativo a ser usado deve ser o ineditismo de um conchavo entre PT e DEM, o único caso da mesma proporção no Brasil, e a reviravolta da “verdadeira oposição”, o PMDB, que aderiu ao governo a 15 dias do segundo turno.
É isso, sem tirar nem pôr, o que Cássio anda pensando lá com seus botões. E será isso que deverá verbalizar quando, finalmente, encerrar seu jejum verbal. Aguardemos, pois.

*Reprodução do Correio da Paraíba.

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