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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Trincado

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publicado em 14/01/2015 às 17h09

Por maior otimista que seja, ninguém em sã consciência pode e nem poderia esperar um casamento harmonioso entre PT e PSB na Paraíba. Os dois, não faz muito tempo, se engalfinhavam numa queda de braço feroz. E foi esse embate em 2012 que levou o PT a Prefeitura de João Pessoa. Paradoxalmente, foi a repentina união que ajudou o PSB a reeleger seu governador em 2014.

Fora dos discursos bonitos, carregados de ideologias e verbalizados para tentar justificar a aliança, no cotidiano as duas legendas não se bicam. A unidade do ano passado foi uma circunstância de sobrevivência para ambos. O PT precisava de um espaço viável para disputar o Senado e Ricardo de um grande aliado para se reerguer.

O reconhecimento a esse contexto não implica, porém, em justificativa para frieza dos capítulos contínuos ao processo eleitoral. Pois é dessa forma que setores do PSB têm se comportado PT no inflamável debate da participação dos socialistas na gestão petista na Capital.

A hesitação da indicação de nomes para presença cooperativa no secretariado é até legítima, da parte do PSB. Autônoma, a sigla tem direito de pedir mais tempo para análise interna, afinal de contas a junção ao PT é fato recente, fruto do calor da eleição, e é preciso avaliar os cenários futuros, antes de uma decisão significativa.

Se há argumento plausível do ponto de vista político, a resistência socialista não exerce boa pedagogia externa. No fundo, com a postura de indiferença, o PSB está transmitindo imagem de que não é um parceiro confiável. O pior, que usa os aliados, de acordo com a conveniência do momento, e os descarta ao sabor dos interesses pontuais.

E vamos combinar. O aliado em questão não é qualquer um. É aquele que, dono da Prefeitura da Capital, segurou na mão de Ricardo quando muitos sequer lhe dirigiam o olhar. O PSB pode até querer se livrar da reciprocidade a Luciano Cartaxo, mas precisa ao menos ter o cuidado de não terminar essa novela como ingrato vilão.

*Reprodução do Correio da Paraíba.

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