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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Santiago não decola

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publicado em 30/05/2010 às 20h13

Se café da manhã com a imprensa e políticos funcionasse, o pré-candidato Wilson Santiago já teria pontuado pelo menos o suficiente para passar manteiga no pão chamado Senado da República.

Santiago se esforça, viaja, cola em Maranhão, mas não conseguiu ainda comover o eleitor paraibano que tem credencial para saltar da Câmara para o Senado e ainda deixar o filho no mesmo gabinete de deputado federal.

Na pesquisa Ibope, Wilson (com 8%) conseguiu ser superado por Roberto Paulino. E olhe que o ex-governador não tem saído de Guarabira nem para conceder entrevista.

Santiago consegue ter um desempenho tão fraco quanto o já auto-aposentado Marcondes Gadelha (PSC), lembrado por 6% dos eleitores.

E o que faz o político de Uiraúna patinar e não empolgar o eleitor? Algumas constatações respondem a indagação.

Apesar de próspero empresário e reconhecido pelo bom humor e fácil trânsito, Wilson construiu uma carreira política patrocinada pelos acertos com prefeitos e lideranças.

Ele se acostumou a resolver a parada e garantir o passaporte da vitória com emendas de bancada e outros mimos de praxe nos bastidores das eleições.

Santiago esqueceu de estabelecer um relacionamento com a opinião pública, com os segmentos sociais e com as entidades representativas.

Se conformou com a fórmula pronta de ganhar eleição com cabos eleitorais e dobradinhas políticas.

Hoje, tem uma base respeitável de prefeitos, mas não consegue penetrar na mente e no coração do eleitor; esse sim o apoio que faz a diferença.

Por isso, amarga tanta dificuldade de ter o nome lembrado em cidades de maior porte, onde o curral eleitoral não funciona com tanta eficiência como em Santarém, Poço Dantas e similares.

Em Campina Grande e João Pessoa, Santiago é um ilustre desconhecido. Ninguém sabe qual é a bandeira, a causa abraçada pelo influente deputado federal da bancada lulista na Câmara.

Pra não ser injusto, uma grande proposta do peemedebista é a criação da zona franca do semi-árido, um tema que ele poderia faturar, mas que não explorou de forma competente na mídia.

Falta discurso, sobra a repetição de "logicamente". Falta desembaraço no microfone, sobra inabilidade diante das câmeras.

Pra começar, Wilson precisa investir em imagem, em postura e sobretudo em idéias. Deve urgentemente profissionalizar sua campanha – do estudo de propostas, plataforma, planejameto, slogan, pesquisa qualitativa até os procedimentos básicos de entrevista na mídia.

Precisa se aproximar das pessoas e não apenas dos políticos. Se apresentar muito mais do que um sujeito despojado, mas alguém que pode olhar no olho dos paraibanos e transmitir de forma segura que tem qualidades superiores aos adversários de peleja.

Até por não prever que entraria na disputa senatorial já em 2010, Wilson não deu muita importância a esses ensinamentos elementares.

Agora, terá que aprender a lição já na recuperação. Um aprendizado complicado para quem vai se submeter a uma prova onde os concorrentes atendem pelos nomes de Cássio Cunha Lima, Efraim Morais e Vitalzinho.

Vai precisar de reforço intensivo. Do contrário, a reprovação o espera.

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