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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Operação Roberto Cavalcanti

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publicado em 06/06/2010 às 21h38

Junte Wellington Roberto, Damião Feliciano, Enivaldo Ribeiro, e ainda o PR, PDT e PRB. Essa salada de letras e os seus donos juntos não conseguem ser mais pesados na balança do que o Sistema Correio de Comunicação sozinho.

São dezenas de emissoras de rádio se comunicando diariamente com os ouvintes das principais cidade paraibanas.

Uma televisão que criou uma identidade com o povo e construiu uma relação de proximidade com os telespectadores.

Um jornal líder absoluto de assinaturas e vendas, cuja audiência massacra todos os concorrentes.

E um portal respeitado e que dá acesso a praticamente todos os veículos do Sistema.

Essa é uma constatação admitida por todos os grupos políticos da Paraíba. O mundo político sabe da força do Correio e dos seus veículos espalhados por todas as regiões do Estado.

Essa reflexão começou a ser feita nos bastidores por gente de proa do bloco da Oposição na Paraíba.

A lógica é simples: não adianta brigar com um Sistema forte, cujo dono é um senador da República e figura influente do PRB, partido do vice-presidente da República.

A análise interna no seio da Oposição conclui que a briga e o acirramento com o Correio da Paraíba só beneficia o projeto de reeleição do governador José Maranhão.

Os oposicionistas apostam agora num detalhe importante: mesmo se auto lançando candidato a reeleição no Senado, Roberto Cavalcanti não tem sido lembrado por ninguém do grupo governista como opção para integrar a chapa do PMDB.

Em nenhuma entrevista, seja de Maranhão ou de um simples vereador peemedebista, Roberto é apontado de forma enfática como nome posto no xadrez eleitoral.

É no mínimo relevar o poder de fogo de Cavalcanti no jogo político da Paraíba. Detentor de um mandato propositivo e reconhecido pela sociedade, Roberto conta a seu favor com o maior sistema de comunicação do Estado. Alguém pode perguntar e por que ele não decola nas pesquisas. Porque tem adotado uma postura discreta e voluntariamente não tem entrado na briga por espaço. Pelo menos por enquanto.

A bagagem da perfomance no Senado e a força do Correio se constitui em um trunfo que qualquer candidato ao Governo quer contar, embora setores maranhistas já não valorizem tanto esse potencial, talvez por considerar o dono do conglomerado como "questão resolvida".

Não foi por acaso que neste final de semana, o vereador socialista Ubiratan Pereira, um dos políticos mais próximo de Ricardo, acenou em contato com o MAISPB para a hipótese do PSB ter Roberto na chapa, inclusive na condição de vice-governador.

Há tese pode ganhar força, caso o senador Efraim Morais recue da intenção de disputar a reeleição, em razão da crise que amarga no Senado.

Outro sinal foi dado pelo ex-governador Cássio Cunha Lima, que circulou sem ressentimentos pelos corredores do Correio da Paraíba durante visita de Serra para entrevistas.

Qualquer analista político já vislumbra uma disputa extremamente apertada e acirrada pelo comando administrativo do Estado. Quem errar menos e acertar mais triunfará sobre o rival.

Podem apostar, há gente na Oposição que sabe disso e enxerga os atributos de Roberto. Por isso vão tentar abrir diálogo com o senador na perspectiva de convite para a chapa, apesar de Cavalcanti manter aceso o propósito de permanecer na sua histórica posição próxima ao PMDB.

Se o movimento prosperará ou não, vai depender da conjuntura. Até o final de junho, muita coisa pode acontecer. Inclusive tudo.

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