João Pessoa, 22 de setembro de 2017 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora

Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

O Mestre e o aprendiz

Comentários:
publicado em 03/01/2011 às 11h25

Eu ainda lembro muito bem. Corria o ano de 2003. Depois de tantas insinuações e pedidos velados, a chefe do Cerimonial da Universidade Federal da Paraíba pergunta ao estagiário do setor se este gostaria que ela intermediasse a aspirada transferência para a Assessoria de Comunicação Social.

Fiquei gélido, afinal de contas a ACS era coordenada por quem eu lia diariamente e teria me despertado, desde Marizópolis, o desejo de conhecer o autor daquela coluna de estilo particular no Correio da Paraíba, o único a chegar na Prefeitura e na Câmara do pequeno município sertanejo.

Ter a oportunidade de ser estagiário dele seria bom além da conta. Com frio na barriga, deixei ao lado de Hermelinda a sala do Cerimonial e fomos bater na porta em frente. Coube a cerimonialista apresentar-me ao chefe da Assessoria, a quem tentou convencer da viabilidade do meu aproveitamento sob a alegação que o candidato era estudante de Jornalismo e tinha “dotes” para o rádio.

Houve sinal positivo. Lá, dada minha inclinação para a locução, fui escalado para transmitir flashes (boletins informativos da UFPB) para quase uma dezena de rádios do Interior, atividade idêntica a desempenhada com tino pelo colega Marcos Figueiredo, o mesmo que eu ouvia, anos antes, nas rádios de Sousa todas as manhãs.

Na Assessoria de Comunicação conheci muito além do ícone do jornalismo paraibano. Em pouco tempo, enxerguei por trás do olhar sisudo e do jeito carrancudo um sujeito de coração solidário. E pude testemunhar dessa solidariedade em muitas ocasiões. Em alguns casos, vendo-o ajudando colegas, seus subordinados, a saírem de vícios e a encontrarem o caminho da sobriedade.

Experimentei também de gestos e atitudes de companheirismo daquele a quem já devotava admiração, respeito e exemplo. Ainda estudante e estagiário do curso de Jornalismo, casei e fui pai em seguida. A renda obviamente não comportava tamanha responsabilidade. Recorri ao chefe e dele recebi o sincero interesse em tentar abrir portas para o novo pai de família desempregado.

Felizmente, a aprovação no concurso de estágio do TRE minorou o “aperto” orçamentário. Pude seguir na peleja pela graduação sonhada e acalentada pelo suor de dona Marizete (mãe) e dona Nuita (avó), fiéis escudeiras nas horas de lágrimas e de sorrisos.

Ao final da jornada pela universidade, não consegui vislumbrar outro objeto de estudo com o qual me identificasse tanto para estudar e construir a monografia, exigência final para o passaporte de jornalista. Escolhi a coluna pela qual me apaixonei ainda na minha terra. Foram meses debruçado sobre arquivos e recortes de jornais. No roteiro do trabalho, uma entrevista serviria para mergulhar na história, experiência, métodos e no coração do colunista. Outra magistral realização pessoal. Em uma hora de questionamentos, numa sala apertada, confirmei no entrevistado uma figura ética, destemida e extremamente comprometida com o ofício de reportar e opinar.

E ele me deu a honra de assistir e presenciar um dos momentos mais importantes da vida do filho de uma humilde funcionária pública viúva, órfão de pai (radialista), e vindo do interior, como diria o poeta cearense Belchior. O resultado coroou os seis meses de noites mal dormidas e dias de intensa luta pelo sustento da mulher e da filha. A banca examinadora concedeu a nota máxima. Não houve como conter as lágrimas, envolvido no abraço amoroso de Cleide e do mano Hernon.

Mas a grande emoção ficou para o dia seguinte. Ao abrir a página do Correio da Paraíba, exercício já habitual, deparei-me com meu nome dando título a nota de encerramento da coluna. Nela, o autor pedia licença para falar o que vivenciara no Campus da UFPB, da alegria de ter o trabalho jornalístico reconhecido “por um estudo sério e criterioso”.

No arremate, uma frase virou combustível para auto-estima e cartão de apresentação: “Quem conhece Heron sabe muito bem que muito em breve sua competência há de brilhar com muita intensidade no jornalismo paraibano ou em outros mercados que tiverem a felicidade de tê-lo como profissional”, profetizou Rubens Nóbrega, em dezembro de 2006, exatamente há quatro anos, neste mesmo espaço que hoje assumo dividido entre emocionado e agradecido a Deus.
Ainda guardo várias cópias daquela edição do Correio. É uma previdência de quem não quer apagar da memória o dia no qual recebeu o troféu da confiança e a torcida de um Mestre dotado de humildade capaz de apostar num tímido aprendiz, até hoje cheio apenas do sincero desejo de ser um bom aluno.

Nova morada – O governador Ricardo Coutinho (PSB) já decidiu e vai mesmo mudar de seu apartamento no bairro do Cabo Branco para a Granja Santana, em Miramar. A primeira-dama, Pâmela Bório, já visitou a residência oficial acompanhada de um arquiteto, responsável por criar uma nova decoração e atmosfera para o ambiente. Quer dar mais alegria às dependências ocupadas por quase dois anos pelo ex-governador José Maranhão (PMDB). Quem esteve na casa recentemente garante que alguns cômodos já estavam cheirando a mofo.

Pegou mal – A ausência do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) na posse do governador Ricardo Coutinho foi mal digerida no Coletivo Girassol. Ninguém engoliu a justificativa do tucano, que alegou excesso nas comemorações do Ano Novo. Deveria pelo menos ter lembrado de um compromisso público importante e histórico no dia seguinte.

Nos bastidores – Circulam três teses sobre a ausência de Cássio. A primeira: ele realmente teria se excedido no dia anterior. A segunda: o ex-governador teria entendido que o “momento” era de Ricardo e por respeito não quis dividir holofotes. A terceira e mais provável: estaria insatisfeito e mandou um recado bem ao seu estilo.

Obrigado – Agradeço à direção do Sistema Correio de Comunicação por mais um presente que recebo em apenas três anos como colaborador desta Casa. À Alexandre Jubert, Beatriz Ribeiro e Walter Galvão, minha gratidão pela confiança depositada.

Reprodução do Correio da Paraíba
 

Leia Também