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ELEIÇÕES 2014

Prestação de contas do PSB não faz menção direta a jato de Campos

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publicado em 08/09/2014 às 08h06

 A prestação parcial de contas da campanha presidencial do PSB entregue ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não faz menção explícita ao aluguel do jato Cessna que vinha sendo usado pelo ex-governador Eduardo Campos, morto no mês passado em acidente com a aeronave, e que é alvo de investigação pelo Ministério Público Federal por suspeita de crime eleitoral e caixa 2.

No documento, que aponta arrecadação de R$ 19,5 milhões nos dois primeiros meses de campanha, o partido enviou quatro prestações de contas: uma no nome de Marina Silva, atual candidata, outra no nome de Campos, uma terceira do comitê financeiro da campanha presidencial, e uma quarta da Direção Nacional da legenda. A segunda parcial de prestação de contas dos partidos foi divulgada neste sábado pelo TSE.

Somente na prestação de contas do comitê financeiro há referência às despesas com transporte, mas, mesmo assim, sem citar de forma direta o jato.

O presidente do PSB, Roberto Amaral, havia dito que dependia da Anac (Agência Nacional da Aviação Civil) calcular as horas voadas para, então, declarar à Justiça os valores gastos, o que poderá ser feito até o fim do pleito. Segundo ele, porém, os documentos sobre quem cedeu a aeronave foram entregues ao TSE.

Na planilha de despesas do comitê, foi declarado um gasto de R$ 114,1 mil com a empresa Líder Táxi Aéreo, mas não é possível saber se esse valor inclui o aluguel do avião.

A prestação de contas cita ainda outras 12 empresas de transporte, locação de veículos e agências de turismo, mas o tipo de serviço prestado é descrito apenas como "despesas com transporte ou deslocamento" e "cessão ou locação de veículos", totalizando gasto de R$ 1,53 milhão.

Nessa lista estão a FedEx, a HRV Transporte e Locação de Veículos, Mikonos Turismo, Vip Trip Turismo, Transvix Soluções em Transporte, Tivolitur Viagens e Turismo, Pontual Transporte Aéreo, Maranatha Transportes e Locadora de Veículos, JG Eventos, Tadeu Fernandes dos Santos e Paulo Vilela.

Na planilha em nome da Marina, não foi lançada nenhuma receita ou despesa. Embora ela tenha assumido a campanha logo após a morte de Campos, o nome dela como cabeça de chapa só foi aprovado pela Justiça eleitoral na semana passada, o que permitiu, então, que abrisse uma conta corrente para receber as doações em seu nome.

Na declaração de Campos, as receitas totalizam R$ 17.429 milhões, mesmo valor das despesas, feitas com funcionários e saída em dinheiro, mas sem indicação de fornecedor.

No caso do Diretório Nacional, todas as despesas foram com transferências de recursos para candidatos do partido nos Estados.

A polêmica em torno do avião surgiu porque não se sabe quem é o verdadeiro dono da aeronave. O partido informa que o jato foi cedido pelos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira, que o teriam comprado em maio deste ano.

No entanto, segundo reportagem da "Folha", a proposta que selou a compra do avião por US$ 8,5 milhões (R$ 19 milhões) não cita nome nem informações sobre quem adquiriu a aeronave e não foi registrada em cartório, o que poderia ser um indício de que o jato tivesse sido comprado com recursos de caixa 2 dos empresários ou do partido.

Uol

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