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MERCADO DE TRABALHO

Metade dos que têm diploma ganha no máximo quatro salários mínimos

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publicado em 08/09/2014 às 10h07

 Quase metade dos trabalhadores com ensino superior que atuam no mercado formal no país ganhavam, no máximo, quatro salários mínimos em 2013 (o equivalente na época a R$ 2.712).

A faixa de renda entre dois e três salários mínimos era a que agrupava a maior fatia dos que possuem diploma universitário (16% do total).
Apenas 5,3% dos trabalhadores com ensino superior tinham remuneração média superior a 20 mínimos.

Entre trabalhadores com mestrado e doutorado, o percentual dos que recebiam o teto de quatro mínimos no ano passado era de, respectivamente, 36% e 23%.
Os dados –que foram levantados pela Folha na Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho– são um retrato da realidade salarial do país. "Os salários pagos no Brasil, de forma geral, ainda são baixos, apesar de a renda ter aumentado", afirma o economista Naercio Menezes Filho, do Insper.
Menezes Filho e outros especialistas destacam também que os dados podem refletir diferenças na qualidade dos cursos de ensino superior.

"Existe uma heterogeneidade grande na formação superior", diz Fernando Veloso, economista da FGV.

Um estudo de Menezes Filho mostra que, nos últimos anos, os salários pagos em carreiras com grande número de formados caíram. É o caso de áreas como enfermagem, administração de empresas e marketing.

Já carreiras como medicina, engenharias, economia e ciências sociais registraram aumento de salários.

"Parece existir um efeito de mudanças de demanda e oferta no mercado, mas fatores como diferenças na qualidade da formação também podem influenciar os salários", diz Menezes Filho.

"PRÊMIO" SALARIAL

Economistas ressaltam, no entanto, que a recompensa em termos de renda a mais ("prêmio" salarial) por um diploma universitário no Brasil permanece elevada, embora tenha caído.

Em 2011, trabalhadores com diploma universitário tinham remuneração, em média, 160% maior do que aqueles com ensino médio.

Segundo dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), esse "prêmio" era o segundo maior em um grupo de 34 países desenvolvidos e emergentes grandes.

Isso se explica, em parte, pela fatia ainda baixa –embora crescente– da população adulta (25 a 64 anos) com ensino superior no país.
De acordo com a OCDE, em 2011, esse percentual era de apenas 12%, o mais baixo entre os países para os quais a instituição tem estatísticas.

Os dados da Rais mostram que a parcela dos trabalhadores no mercado formal com ensino superior aumentou pouco. Entre 2007 e 2013, passou de 15,2% para 17,8%.

As estatísticas da Rais incluem tanto trabalhadores regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) quanto servidores públicos com estabilidade (estatutários) e sob regime especial.

Em 2013, o total de trabalhadores computado na Rais era de 48,9 milhões.

O economista Simon Scwhartzman, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade afirma que a ampliação de bolsas e do financiamento estudantil representa um incentivo a mais para a conclusão do ensino superior no Brasil: "Como o custo do ensino superior é baixo e muitos cursos são à noite e não requerem muito estudo nem formação anterior, acho que vale a pena".

Folha de SP

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