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Jornalista desde 2007 pela UFPB. Filho de Marizópolis, Sertão da Paraíba. Colunista, apresentador de rádio e TV. Contato com a Coluna: heroncid@gmail.com

Faltou bom senso

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publicado em 01/03/2011 às 07h27

A greve deflagrada não surpreende. Desde o início do Governo, o comando do movimento já dava sinais que não hesitaria em levar a Polícia Militar ao extremo para obrigar a gestão estadual a pagar o benefício da PEC 300. Mas, a sociedade e o contribuinte paraibano ainda apostavam no bom senso dos líderes da insurreição.

Não foi isso que se viu. Em que pese a necessidade reconhecida por todos da melhoria salarial dos policiais, o movimento não levou em consideração os dados apresentados pelo Governo em cinco reuniões consecutivas. O Estado só poderia pagar a PEC 300 se agisse com total desacordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Até onde se apurou, o Governo em seus parcos 56 dias permanece em conflito com a LRF, apesar dos cortes na folha. Nenhum reajuste poderia ser concedido nesse momento, ainda mais quando o cumprimento da PEC acrescentaria despesa superior a R$ 80 milhões aos cofres da Paraíba. O que agravaria ainda mais a delicada situação.

A categoria reclamava da falta de diálogo do Governo. Essa fase chegou a ser superada quando secretários foram escalados para rodadas de negociação. O governador também poderia ter participado das conversas e encarado o problema olho no olho. Esse gesto não lhe custaria nada. Só mostraria mais disposição de enfrentar de cara o assunto.

O staff do movimento advoga que o ato de fazer vigília em frente ao Palácio da Redenção já era um recado. “O Governo ficou menosprezando a categoria o tempo todo”, justificou o coronel Maquir Cordeiro, da Caixa Beneficente da Polícia Militar. Já o secretário de Comunicação, Nonato Bandeira, considerou a greve precipitada e ilegal.

Os policiais estão no direito reclamar por salários compatíveis com a honorabilidade da função. No entanto, dificilmente conseguirão o aval da sociedade nessa paralisação porque até o mais ignaro paraibano sabe que a Lei, cujos efeitos estão suspensos, teve o único propósito de mudar uma eleição perdida. E nem para esse propósito serviu. Ironicamente, gera agora insegurança. Uma pena.

Aeroclube, os interesses e a revelação – A revelação do prefeito de João Pessoa, Luciano Agra (PSB), ao Correio Debate (rádio), ontem, pegou muita gente de surpresa. Até então ninguém sabia o ‘interesse’ da direção do Aeroclube negociar com o Armazém Paraíba. Talvez esse novo dado explique a presença do senador João Vicente (PTB-PI) na reunião com o ministro da Defesa.

Debate com a sociedade – Agra abriu a discussão que se arrasta agora na Justiça para os principais beneficiados com a intervenção da Prefeitura. Ele participa de reunião com os moradores do Bessa, Manaíra e São José hoje, às 19h, no Centro de Convenções Cidade Viva, no Bessa.

Ironia documentada – Luciano tem carregado debaixo do braço o livro Estatuto das Cidades para sustentar a tese de que o espaço do Aeroclube pertence ao município e não à União. A obra foi um presente recebido em 2006 das mãos do então senador José Maranhão (PMDB).

Sacada – O deputado Manoel Júnior jogou bem. Defendeu pesquisas internas para definição do candidato do PMDB nas eleições de 2012 em João Pessoa. Ducha fria em Milanez e Benjamim.

Holofotes – A vereadora Eliza Virgínia se apressou para explicar o adiamento da filiação ao PSDB. Depois do carnaval, ela quer entrar no ninho tucano com direito a festa para não passar despercebida.

Inversão – Do senador Cícero Lucena sobre apoio de Rômulo Gouveia à reeleição de Agra em João Pessoa. “Imagine se alguém sugerisse apoio do PSDB a Veneziano em Campina Grande”.

Mês das mulheres – A conselheira federal da OAB, Ângela Abrantes, anuncia para amanhã manifestação de apoio às advogadas em frente ao Fórum da Justiça do Trabalho. Depois do carnaval, tem mais.

Parecer – O procurador jurídico da Assembléia, Cecílio Ramalho, estuda os recursos movidos pela base governista e pela Oposição apontando irregularidades na formação das comissões.

Escapou – O TRE rejeitou, por unanimidade, pedido de cassação do prefeito de Vieirópolis, Marcos Pereira de Oliveira. A defesa do gestor na corte foi feita pelo advogado Johnson Abrantes.

Canjinha – Atuante esposa de um noviço deputado estadual já se apresentou no seu novo emprego em determinada secretaria do Governo. Aguarda agora somente uma sala para despachar.

Dois destinos – Lembrança de Heraldo Nóbrega. O então senador Ney Suassuna visitou Kadhafi, em Trípoli, e ganhou uma sela de cavalo. Agora, corre o risco de ser apeado do poder na Líbia.

Corredores – A Prefeitura de João Pessoa anuncia em março medidas de impacto no trânsito da cidade. A gestão vai ampliar os principais corredores e abrir novas faixas. O motorista agradece.

Descaso – O Governo Federal construiu em Sousa o Centro Calon de Tradições Ciganas. O espaço que serviria para tirar a comunidade da marginalização está parado por falta de gestão. Uma lástima.

PINGO QUENTE“Só espero que ele não quebre a Caixa como quebrou a Paraíba”. Do padre Luiz Couto (PT) que não perdoa o católico ex-governador José Maranhão (PMDB).
 

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