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CONFLITO

Reintegração termina com ônibus incendiado, prisões e feridos em SP

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publicado em 16/09/2014 às 14h49

A tentativa de impedir a reintegração de posse do prédio do Hotel Aquarius, no Centro de São Paulo, terminou com um ônibus incendiado, ataque a loja, além de ao menos seis pessoas feridas e oito presas, segundo a Polícia Militar (PM). O tumulto parou o Centro da cidade.
Ao menos 30 linhas de ônibus deixaram de circular na região e quatro pontos de bloqueios travaram a circulação de carros. A reintegração de posse, que começou nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (16), foi a terceira tentativa de retirar os sem-teto do imóvel na Avenida São João.

O confronto começou por volta das 8h, em frente ao prédio ocupado. Os sem-teto reagiram à chegada da PM arremessando móveis e outros objetos do alto do prédio. Bombas de gás lacrimogênio e de efeito mora foram usados pela Tropa de Choque para afastar os ocupantes que bloqueavam a Avenida São João.
O coronel da PM Glauco Silva de Carvalho, que comandava a operação, afirmou que o confronto foi iniciado pelos sem-teto, que lançaram objetos das janelas. Para tentar abrir a entrada do hotel, que estava bloqueada com móveis, os policiais usaram um veículo blindado.
Confronto para o Centro

Após a reação da PM, o confronto se espalhou por outras ruas da região central. Na Rua Barão de Itapetininga, nas proximidades da Praça da República, a PM disparou bombas de gás lacrimogênio para dispersar pessoas que tentavam saquear uma loja. O alarme disparou, atraindo a atenção dos agentes que estavam na região.

Um ônibus foi incendiado na Praça Ramos de Azevedo, ao lado do Theatro Municipal, por volta das 10h. As chamas foram controladas pelo Corpo de Bombeiros e ninguém se feriu.

O balanço parcial da PM, divulgado às 13h30, aponta que cinco pessoas foram presas suspeitas de arrombamento de uma loja, outras duas por lesão corporal e uma mulher por atear fogo ao ônibus.

Além dos oito suspeitos presos, cerca de 70 foram levadas para o 3º Distrito Policial de São Paulo para averiguação.
Na operação, quatro policiais militares ficaram feridos, segundo a PM. Um deles fraturou o pé, outro teve queimaduras de segundo grau e dois agentes ferimentos nas pernas por fogos de artifício. Eles foram socorridos ao pronto-socorro da Santa Casa de Misericórdia.

O hospital também confirmou o atendimento de um homem, que já teve alta, e uma mulher com fratura na perna. Ela passou por exames e seguia internada até as 12h30.

Tentativas de reintegração

Esta foi a terceira vez em que a retirada dos ocupantes foi marcada. Nas outras duas datas – em julho e em agosto-, os oficiais de Justiça avaliaram que a quantidade de caminhões disponíveis não era suficiente.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou, em nota, que a juíza Maria Fernanda Belli, da 25ª Vara Cível do Foro Central, determinou a reintegração de posse do edifício nesta terça-feira após pedido de seu proprietário, a Aquarius Hotel Limitada. Foram feitas reuniões entre a PM, advogados da empresa proprietária e moradores, para acertar como seria a saída, diz a pasta.

O tenente-coronel da PM Mauro Lopes disse ao G1 que, entre 2h e 6h desta terça-feira, os policiais militares negociaram uma saída pacífica do prédio, mas foram surpreendidos pela resistência dos ocupantes no início da manhã. Lopes afirmou ainda que estavam reservados 40 caminhões para o transporte dos móveis e objetos dos ocupantes por causa da reintegração.

Para o movimento Frente de Luta por Moradia (FLM), a decisão do judiciário vai devolver o prédio "à especulação imobiliária, sem levar em conta o problema social.
"Aproximadamente 800 pessoas, crianças e idosos serão jogados na rua, sem uma solução definitiva", disse o FLM em comunicado. Ainda segundo o movimento, cerca de 200 famílias ocupam o imóvel há seis meses.

A Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) afirma que realizou um estudo de viabilidade para transformar o hotel em moradia popular, mas foi verificado que o projeto não seria viável pelo custo.

Segundo a Prefeitura, o valor gasto para revitalizar o prédio com cerca de 100 apartamentos, seria possível construir entre dois e três conjuntos habitacionais. A Sehab ofereceu vagas para os sem-teto em um alojamento na Sé.

Trânsito parado

A confusão no Centro causou interdição no trânsito em várias vias do entorno. Às 13h, a Avenida São João seguia interditada. O bloqueio acontecia entre o Largo do Paissandu e a Avenida Ipiranga. No mesmo horário, a Rua Xavier de Toledo, junto à Avenida São Luís, a Avenida Rio Branco, próximo à Rua Aurora, e o Viaduto do Chá também apresentavam interrupções no tráfego de veículos.

Mais cedo, a Avenida São João precisou ser totalmente interditada na altura do cruzamento com a Avenida Ipiranga. Por causa da reintegração, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) chegou a emitir um comunicado recomendando aos motoristas a evitarem trafegar pela região durante a manhã.

Segundo a São Paulo Transporte (SPTrans), 30 linhas de ônibus tiveram seus trajetos afetados pelo conflito após o incêndio a um coletivo. Os bloqueios no Centro resultaram em congestionamentos em outras importantes vias da cidade nesta manhã. De acordo com a CET, a capital paulista chegou a registrar 96 km de ruas e avenidas congestionadas às 10h30. A região central concentrava 28 km desta lentidão.

G1

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